(ou o amor que não ousa dizer seu nome)
extinguindo com ele
a primavera.
quem instalou as câmeras de vigilância que,
atentas, fuzilaram nas ruas
todos os amantes?
quem flechou, em pleno voo,
os beijos tenros das flores?
em nome do amor,
entrelaçar os dedos nos bancos das praças.
comem-se as línguas daqueles que arriscam dizer seu nome.
marca-se à fogo a vergonha dos lábios.
no Museu dos Desamores.
entre os fios de arame farpado,
gritei, rebelde:
“Eu te amo”.
o que os olhos já não reconheciam mais:
Nasceu um colibri.