filho de Cronos,
presenteio-lhe com as asas do tempo.
Quando a revoada anunciar a contagem dos mil voos,
desabrochará a flor dos desejos.
mil pássaros costurando sonhos.
os pássaros,
como as paixões,
devem ser efêmeros.
ao amor se devotam os ninhos.
O rei do sol.
filho de Cronos,
presenteio-lhe com as asas do tempo.
Quando a revoada anunciar a contagem dos mil voos,
desabrochará a flor dos desejos.
mil pássaros costurando sonhos.
os pássaros,
como as paixões,
devem ser efêmeros.
ao amor se devotam os ninhos.
(ou o amor que não ousa dizer seu nome)
(ao que parte);
as iniciais talhadas no mogno estavam desgastadas pelo tempo. um pequeno mas bonito musgo, verde cintilante, crescia por entre as pequenas rachaduras do corpo.
seus dedos desentrelaçaram dos meus, e eu me despedi do mundo.
no bolso, a pequena caixa dos mistérios trocados, arrumados com carinho. uma coleção de palavras doces, uma fotografia dos seus olhos e três beijos, pra usar quando a saudade estrangular o peito.
Fomos cada estrela desse céu.
matamos dragões,
construímos em barro o alicerce de nossa casa
e florimos com sangue nosso jardim.
e eu te amei até o osso!
quando sua boca desencontrou da minha,
choveu. nos soterramos em argila e sonhos.
entre os escombros,
de malas prontas, nos passo um café.
hoje eu chorei na rua; e
imediatamente
o céu fez companhia e desaguou comigo.
talvez para me ajudar a enganar os que passavam,
talvez para lavar aquelas lágrimas
que já não fazem mais poesia.
quantas ameaças ainda precisam ser vencidas?
hoje eu chovi na rua; e
imediatamente
o céu fez companhia e chorou comigo.
eu voltei. agora mais fraco que nunca.
Eu gosto de você. Talvez mais do que seria sensato gostar. Mais do que é permitido. Além do profano, dos lençóis, e além do que escondo apertado na palma das mãos. Te amo como o amor que devoto aos astros: sem explicação, sem sentido, mas ainda assim amor. Amor pelo vesúvio sobre meu corpo, o cataclismo em meu ossos. Amor dos olhos da Lua e dos deltas de Vênus.
Te beberia dois oceanos pra lhe colher os Peixes.